O senador Cássio Cunha Lima (PSDB) realizou um discurso emocionado
durante a cerimônia em que recebia o título de cidadão pessoense, na
tarde desta sexta-feira (10), na Câmara de Vereadores de João Pessoa. O
título foi concedido por unanimidade pelos vereadores da Capital, ao
aprovarem a propositura de Raoni Mendes (PDT).
Em determinado
momento, Cássio chega a dizer que "Campina deu o berço e João Pessoa o
chamou de coração". O ex-governador da Paraíba ainda fez questão de
homenagear o pai, Ronaldo Cunha Lima, lendo com uma poesia de sua
autoria.
O plenário, as galerias e os corredores da CMJP
ficaram lotados: “É uma declaração de amor da nossa Capital a você”,
evidenciou o vereador Raoni Mendes, classificando ainda a homenagem
como justa e merecida. Na ocasião, também foi feita a entrega da
“Medalha Cidade de João Pessoa”, a mais alta comenda do Legislativo
municipal. A honraria havia sido concedida a Cássio Cunha Lima em 1999,
através de propositura do vereador Marcos Vinícius (PSDB) e dos
ex-vereadores Tavinho Santos, Potengi Lucena e João Gonçalves.
O
vereador Luiz Flávio (PSDB), que representou os autores da propositura
durante a entrega da “Medalha Cidade de João Pessoa”, elencou projetos
e ações do senador durante toda sua vida pública. Segundo o vereador, a
trajetória de Cássio “é marcada pela coerência e pela coragem,
assegurando melhores condições de vida para a população paraibana”.
A solenidade foi prestigiada por familiares do senador, pela maior
parte dos vereadores da Casa Napoleão Laureano e por outras
autoridades, como o senador Cícero Lucena (PSDB), o prefeito de Campina
Grande, Romero Rodrigues (PSDB), os deputados federais Ruy Carneiro
(PSDB) e Efraim Filho (DEM), o deputado estadual e vice-presidente da
Assembleia Legislativa do Estado da Paraíba, Edmilson Soares (PEN), bem
como representantes do governador Ricardo Coutinho (PSB) e do prefeito
de João Pessoa, Luciano Cartaxo (PT), que não puderam comparecer à
sessão solene.
Confira abaixo o discurso na íntegra:
Senhor Presidente,
Senhoras e Senhores Vereadores,
Amigas e Amigos aqui presentes,
“Pressentindo emoções, que hão de vir,
Temo não preencher os seus espaços.
Vou dividir meu ser e ser pedaços,
Substabelecendo o meu sentir.
Cada parte de mim vai se incumbir
De uma só emoção, definir traços,
Dizer do ajustamento dos abraços
E tudo, fielmente, traduzir.”
Ronaldo Cunha Lima
Hoje,
o cenário pessoense, mais uma vez, descortinou o meu dia; aqui, “onde o
azul do céu, é mais cor de anil... onde o Sol tão quente parece mais
gentil”, é “a porta do Sol deste país tropical... Somos a mata verde, a
esperança, somos o Sol do extremo oriental!”
Aqui, vivi, investi, conquistei, perdi, renasci, descobri, criei, aprendi....
Campinense
de nascimento e nordestino por destinação, fui conduzido, pela
generosidade do meu povo, a auxiliar no crescimento da Paraíba.
E, como paraibano, envidei os meus melhores esforços em retribuição a esta terra.
Sempre
preconizei o meu amor por Campina Grande. Já disse que eu poderia
enfrentar, talvez, as piores provações da vida, mas não suportaria um
único dia em que a convicção do meu amor por Campina, e de Campina por
mim, fraquejasse.
Campina me deu o berço, e João Pessoa me chamou de coração...
Esta
não é apenas a Capital deste Estado maravilhoso. João Pessoa, terra
hospitaleira por excelência, é a mãe acolhedora de todos nós. Aqui, “no
Nordeste imenso... tem um fulgor intenso, meu - nosso! – sublime
torrão!”
Há muito, as bandeiras de Campina e de João Pessoa já
impingiam no meu peito um amor que transpõe as palavras, engrandece-se
mais que ações, ultrapassa qualquer plano material... O amor, que não
cabe em si, transborda pela Paraíba, alcançando cada Município, cada
lugar, cada pedaço desta nossa terra abençoada...
E hoje,
recebendo a titulação de filho – que meu coração já detinha – mas que os
representantes do povo pessoense me outorgam, vejo que a Serra me
originou, e o Mar me conquistou com seus encantos...
E, nesse
trajeto de Serra e Mar, de Campina e João Pessoa, trilhei meus passos,
sonhei meus sonhos, conquistei vitórias e edifiquei postulados...
A
história, neste caso, subverte a geografia: serra e mar se abraçam,
numa interseção sem curvas, sem distância e sem atalho no mapa dos meus
afetos.
E a emoção que hoje nos toma não pode nos enebriar a
visão sobre a dor e a angústia vivida por todos nós paraibanos neste
momento de estiagem, quando o flagelo da seca castiga a vida dos
sertanejos e a omissão do Governo Federal aumenta a angústia do
porvir...
E a dor, que já castigou ontem, repete-se hoje! Por isso, os versos do Poeta – outrora talhados – fazem-se tão atuais!
“Quando o grito de dor do nordestino
Unir-se à voz geral do desencanto,
Esse eco, de repente, faz um canto
E o canto de repente faz um hino.
E puro como um sonho de menino
Será cantado aqui e em qualquer canto,
Como símbolo, estandarte, como manto
De um povo que busca o seu destino.
Quando esse hino, pleno de ideal,
Canção de um povo em marcha triunfal,
For lançado ao sabor de seu destino
Aí se saberá sem ter espanto
Que um eco de repente faz um canto
E um canto de repente faz um hino.”
Percorri,
em meu roteiro sentimental, as lições que recebi de meu pai, observando
sempre a sutil diferença entre ser sábio e ser sabido; entre ser
oportuno e ser oportunista; entre ser preparado e ser esperto... e a
importância de ser reto.
Logo, recebo este Título de Cidadão
Pessoense como reconhecimento aos ensinamentos que herdei de Ronaldo
Cunha Lima, meu pai, e ao amor sem fim de Glória Cunha Lima, minha mãe,
por meio de quem homenageio todas as mães pelo dia delas no próximo
domingo, e dedico a ambos, a Glória e a Ronaldo, essas honrarias, que me
permitem, tendo nascido em Campina, ser pessoense também, para ser
paraibano cada vez mais!
Sou eternamente grato por essas
oportunidades... Nascer em um Estado tão belo, com tesouros naturais e
humanos tão destacados é uma dávida...
Agradeço ao Criador por este milagre a nós concedido!
Saber
agradecer é uma arte. Às vezes, o maior agradecimento está na frase que
não foi dita, no verso que não foi escrito... O agradecimento está na
alma e só quem espia da janela do coração pode ver.
O Poeta
Ronaldo Cunha Lima costumava dizer que há duas formas de ser cidadão de
um terra: por nascimento ou por titulação, instante histórico em que a
gente é escolhido.
É nessa situação – de escolhido – que hoje
estou aqui, para ser outorgado e agradecer a iniciativa do jovem e
talentoso Vereador Raoni Mendes, homem de princípios cristãos e de
sólida formação humanística, que é o autor da propositura que me concede
o Título de Cidadão Pessoense.
E recebo também – duplamente
honrado – a Medalha João Pessoa, a maior honraria desta Casa, por
iniciativa dos Vereadores Marcos Vinícius, João Gonçalves, Potengi
Lucena e Tavinho Santos, outorgada em 1999.
A cada um dos
parlamentares, hoje trilhando caminhos diversos, mas todos unidos pelo
sentimento indestrutível de trabalhar incansavelmente por quem mais
precisa, meu agradecimento pelo reconhecimento e pela dedicação.
Enfim,
como paraibano, campinense e pessoense, por titulação e coração,
expectador do seu desenvolvimento e torcedor de seu fortalecimento,
honra-me, a partir de hoje, ostentar o Título de Cidadão e a Medalha
João Pessoa, tributados por esta Casa.
De ação em ação, tenho a
certeza de que auxiliei a construir uma melhor consciência
político-administrativa nesta terra e a disseminar melhores serviços aos
que aqui buscam recantos e encantos.
Estes títulos me servem de incentivo a buscar muito mais!
Muitos
querem a conquista de territórios ou a constituição de poderes. Não sou
assim. Sou, antes de tudo, um cidadão que busca desafios; sou um
coração batendo no mundo, sem “nada a temer, senão o correr da luta; sem
nada a fazer, senão esquecer o medo”, como cantou Milton Nascimento.
Meus troféus dessa luta não estão guardados em cofre, com senha secreta, eu os conto na memória e na minha convicção.
Agradeço,
também, ao presidente desta Casa, Vereador Durval Ferreira, reconhecido
pela habilidade política de convivência com seus pares.
Agradeço,
muito especialmente, a todas e todos os vereadores desta Câmara
Municipal de João Pessoa por me permitirem receber esses títulos por
votação unânime.
Porque a verdade é que, de posse das honrarias
que ora recebo, sou levado a reafirmar – solene e perenemente – o meu
caso de amor com esta cidade.
E, por isso, como na antevisão
sentimental do Poeta, vou – de fato e, agora, de direito! – dividir meu
ser e ser pedaços / substabelecendo o meu sentir.
Como a vida
vale mais pela largura do que pelo comprimento – como eternizou o Poeta
–, quero registrar a minha gratidão pela grandeza do gesto e pela
largura da honraria a todos aqui presentes.
Valeu a pena
acreditar no justo, trilhar o caminho certo, dedicar-me à minha
verdadeira vocação. Valeu a pena praticar política como sacerdócio – e
jamais como negócio!
É, portanto, com humildade, mas com
indisfarçável contentamento, que me somo à grande família pessoense,
certo de que todos nós sentimos profundo orgulho de nossas raízes
paraibanas, do litoral ao sertão.
Tenho convicção de que não é
outra força, senão o amor à minha terra e à minha gente, que me faz
seguir a vida pública, certo de que “quem não vive para servir, não
serve para viver”.
Mais do que guardar este momento, saberei
reconhecer o gesto de todos que me possibilitaram esta alegria, esta
honra, esta distinção e este presente, “Paraíba hospitaleira, morena
brasileira do meu coração!”
Ao final, fico com as lições do poeta
Mário Quintana: “Quero, um dia, dizer às pessoas que nada foi vão, que o
amor existe, que vale se doar às pessoas, que a vida é bela sim e que
eu sempre dei o melhor de mim... e que – tudo – valeu a pena.”
Muito obrigado a todos!
Paz e Bem!
Cássio Cunha Lima
João Pessoa, 10 de maio de 2013
.fonte : portal correio


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