A presidente Dilma Rousseff decidiu seguir a orientação do Tribunal
de Contas da União (TCU) e vai fazer um novo contingenciamento do
Orçamento de 2015. O governo deverá editar um decreto de programação
financeira com um corte de R$ 10,7 bilhões nos gastos. Com isso, pela
primeira vez, o país terá um quadro que os técnicos chamam de “shut
down”, ou seja, a suspensão de todas as despesas discricionárias. Isso
significa deixar de fazer, por exemplo, o
pagamento de todos os serviços
de água, luz, telefone, bolsas no Brasil e no exterior, fiscalização
ambiental, do trabalho, da Receita e da Polícia Federal. A suspensão
também atingirá gastos com passagens e diárias.
A presidente decidiu cancelar suas viagens ao Japão e ao Vietnã,
marcadas para o período de 1 a 4 dezembro, por conta do agravamento da
crise política e da situação fiscal, que depende de várias decisões do
Congresso. Dilma ainda vai embarcar para Paris, onde participa da
COP-21, conferência sobre mudanças climáticas, uma vez que esse evento
está marcado para o dia 30 e, oficialmente, o bloqueio dos gastos só
entrará em vigor no dia 01 de dezembro. Dilma embarca hoje à noite para
Paris, onde participará do segmento de chefes de Estado da Conferência
da ONU sobre Mudanças Climáticas, e retorna na segunda-feira à noite
para Brasília.
— Ela acha que é
melhor ficar no Brasil por conta das decisões orçamentárias. Estamos
trabalhando para aprovar o PLN 5 (projeto de lei da meta fiscal) . Na
base aliada há consciência da importância da aprovação da meta fiscal –
disse um auxiliar de Dilma.
Segundo integrantes da equipe econômica, o Palácio do Planalto optou
por essa saída para evitar uma fragilização ainda maior da presidente e e
novos argumentos para um eventual pedido de impeachment. Ao avaliar as
contas do governo de 2014, os ministros do TCU consideraram ilegal o
fato de o governo ter administrado o Orçamento do ano passado com base
numa meta fiscal que ainda não havia recebido o aval dos parlamentares.
Por isso, o governo não gostaria de correr esse risco novamente.
O problema é que o mesmo quadro está ocorrendo em 2015. Com receitas
em queda livre e despesas engessadas, o governo propôs ao Congresso uma
alteração da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) deste ano que fixa a
meta fiscal num déficit de R$ 51,8 bilhões para o governo federal. Esse
valor, no entanto, pode chegar a R$ 117,9 bilhões caso o governo tenha
frustração de algumas receitas e pague o saldo de todas as pedaladas
fiscais (atrasos nos repasses de recursos do Tesouro Nacional para
bancos públicos), que é de R$ 57 bilhões. No entanto, essa meta ainda
não foi aprovada pelo Legislativo.
A votação estava marcada para o início da semana, mas acabou sendo adiada para o dia 3 de dezembro por causa das turbulências provocadas no Congresso pela prisão do líder do governo no Senado, Delcídio do Amaral (PT-MS), acusado de tentar obstruir as investigações da operação Lava-Jato. Assim, na prática, para poder seguir a recomendação do TCU, a equipe econômica precisa trabalhar com a meta que ainda está em vigor, de um superávit primário de R$ 55,3 bilhões para o governo federal.
A votação estava marcada para o início da semana, mas acabou sendo adiada para o dia 3 de dezembro por causa das turbulências provocadas no Congresso pela prisão do líder do governo no Senado, Delcídio do Amaral (PT-MS), acusado de tentar obstruir as investigações da operação Lava-Jato. Assim, na prática, para poder seguir a recomendação do TCU, a equipe econômica precisa trabalhar com a meta que ainda está em vigor, de um superávit primário de R$ 55,3 bilhões para o governo federal.
Para seguir esse compromisso, no entanto, será preciso paralisar a
máquina pública. Este ano, até outubro, governo federal já acumula um
déficit primário de R$ 33 bilhões. No último relatório bimestral de
receitas e despesas, o governo alertou para o fato de que seria preciso
fazer um contingenciamento adicional de gastos de R$ 107,1 bilhões para
garantir a meta oficial. No entanto, nesse momento, o valor que pode
efetivamente ser contingenciado é de apenas R$ 10,7 bilhões.
“Cabe ressaltar que o contingenciamento dessas despesas levaria a
graves consequências para a sociedade, com a interrupção da prestação de
importantes serviços públicos e da execução de investimentos
necessários à manutenção da infraestrutura do País e à retomada do
crescimento econômico”, afirma o documento.
O Globo

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