19 de nov. de 2018

Com saída de cubanos, cerca de 600 cidades podem ficar sem médico, diz entidade

Com a saída dos cubanos do Mais Médicos, cerca de 600 municípios brasileiros podem ficar sem nenhum médico da rede pública a partir do dia 25 de dezembro, segundo o Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems).
De acordo com o presidente da entidade, Mauro Junqueira, essas cidades possuem somente médicos cubanos,
que começam a deixar o programa federal em 25 de novembro – a data já constava de um comunicado do governo cubano a médicos que atuam no Paraná, conforme adiantou o G1. Os últimos cubanos deverão deixar o país até o Natal.
Na última quarta (14), o governo de Cuba anunciou a decisão de deixar o Mais Médicos, citando “referências diretas, depreciativas e ameaçadoras” feitas pelo presidente eleito Jair Bolsonaro à presença dos médicos cubanos no Brasil.
Bolsonaro afirma que o governo cubano deixar o programa por não concordar com o teste de capacidade. Para ele, é “desumano” dar aos mais pobres atendimento médico “sem garantia”.
Cuba enviava profissionais para atuar no Brasil desde 2013, quando o programa foi criado durante o governo da ex-presidente Dilma Rousseff. Pouco mais da metade dos atuais 16 mil participantes do Mais Médicos são de Cuba.
Como medida emergencial para suprir as vagas que serão abertas, o Ministério da Saúde disse que lançará um edital nos próximos dias.
Hoje segunda-feira (19), representantes do Conasems e do Ministério da Saúde vão se reunir para discutir detalhes do edital. Junqueira explica que o objetivo é tentar encurtar ao máximo os prazos de convocação dos novos médicos para preencher o quanto antes as vagas.

Substituição

Para substituir os cubanos, uma das alternativas estudadas pelo Ministério da Saúde é chamar médicos brasileiros que se formaram usando recursos do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies). Em troca, eles teriam parte da dívida do financiamento abatida.
Os detalhes da proposta, que será levada à equipe de transição de Bolsonaro, ainda não estão fechados, segundo o ministro da Saúde, Gilberto Occhi.
G1

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