Deputados escolhidos pelos partidos para apurar na Câmara o esquema
de corrupção na Petrobrás receberam em 2014 R$ 1,9 milhão em doações
eleitorais de empresas citadas na Operação Lava Jato e prováveis alvos
da CPI criada para investigar os desvios.
Empreiteiras como Andrade Gutierrez, Odebrecht, OAS, UTC, Carioca
Engenharia, Galvão Engenharia e empresas do grupo Queiroz Galvão doaram
para 10 dos 15 deputados já indicados para a CPI. O
levantamento do
Estado considerou a prestação de contas dos candidatos disponibilizada
no site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
O número de agraciados com doações das empreiteiras alvo da Lava Jato
pode aumentar. Faltam ser escolhidos 12 dos 27 membros da CPI, a ser
instalada na quinta-feira. Partidos como PT, PMDB e PP ainda não
apresentaram seus escolhidos oficialmente, embora já haja nomes cotados.
Favorito para assumir a presidência da comissão, o peemedebista Hugo
Motta (PB), de 25 anos, teve cerca de R$ 455 mil (61%) dos R$ 742 mil de
sua campanha custeados indiretamente por duas empreiteiras suspeitas.
Ele recebeu R$ 255 mil da Andrade Gutierrez via diretórios estadual e
nacional do PMDB e por um repasse da campanha do candidato a deputado
estadual Nabor Wanderley Nóbrega Filho (PMDB-PB). Outros R$ 200 mil
vieram da Odebrecht, repassados a Motta pela direção nacional do PMDB. O
deputado disse desconhecer as doações.
A exemplo do que ocorreu com o potencial presidente da CPI, a maioria
das doações foi feita de forma indireta. Ou seja, as empresas doaram
para partidos e outros candidatos, que repassaram os recursos para os
deputados ou custearam peças publicitárias conjuntas. A manobra é legal.
Maior volume
Dos deputados já confirmados na CPI, Júlio Delgado (PSB-MG) foi quem recebeu o maior volume de recursos. A direção nacional do PSB repassou R$ 200 mil da Andrade Gutierrez e R$ 100 mil da Queiroz Galvão Alimentos, empresa do grupo homônimo. O diretório estadual repassou R$ 50 mil da Odebrecht, empreiteira que doou mais R$ 30 mil diretamente à campanha de Delgado.
Dos deputados já confirmados na CPI, Júlio Delgado (PSB-MG) foi quem recebeu o maior volume de recursos. A direção nacional do PSB repassou R$ 200 mil da Andrade Gutierrez e R$ 100 mil da Queiroz Galvão Alimentos, empresa do grupo homônimo. O diretório estadual repassou R$ 50 mil da Odebrecht, empreiteira que doou mais R$ 30 mil diretamente à campanha de Delgado.
Presidente nacional do Solidariedade, o deputado Paulinho Pereira da
Silva (SP) recebeu das empreiteiras cerca de R$ 348 mil, via diretório
estadual.
Na lista de deputados contemplados indiretamente aparecem ainda
Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP), Onyx Lorenzoni (DEM-RS), João Carlos
Bacelar (PR-BA), Paulo Magalhães (PSD-BA), Bruno Covas (PSDB-SP), Izalci
(PSDB-DF), Otávio Leite (PSDB-RJ) e Félix Mendonça Júnior (PDT-BA).
Dentre os cotados para integrar a CPI, mas ainda não oficializados, o
petista Vicente Cândido (SP) também recebeu doações indiretas das
empreiteiras. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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