Dos 223 municípios do Estado, apenas
três contam com atedimento especializado para acompanhar gestantes e
crianças com microcefalia ou malformações sugestivas de infecção
congênita do vírus da zika: João Pessoa, Campina Grande
e Patos. A falta de distribuição do atendimento tem obrigado mães
moradoras de outras cidades a viajarem em busca de exames, consultas e
sessões de tratamento para seus filhos.
A médica paraibana Adriana Melo,
especialista em medicina fetal que
estuda a relação do vírus da zika com
a malformação cerebral em bebês, fez um alerta de que o governo precisa
se preparar para prestar assistência às mães grávidas de bebês com a
síndrome e para as crianças que estão nascendo com este problema.
Segundo ela, o aumento no número de casos pode gerar um caos, caso o
serviço não seja descentralizado.
“Meu medo é que daqui a algum tempo
surjam vacinas para o problema e as crianças que já nasceram sejam
tratadas apenas como números”, disse Adriana Melo. Um relatório do
Ministério da Saúde, divulgado na quarta-feira (17), mostra que os casos
de malformação confirmados subiram para 56 e outros 423 seguem em
investigação. Em todo o Brasil já são 5.280 casos, sendo 508 confirmados
e 837 descartados.
Por acompanhar casos em Campina Grande,
no Agreste da paraíba, Adriana tem percebido a dificuldade de algumas
gestantes que viajam de outras cidades do interior para buscar
atendimento. Os dados da Secretaria Municipal de Saúde confirmam a
necessidade de descentralização.
No Hospital Pedro I, que tem atendimento
especializado para a síndrome, das 276 grávidas que estão sendo
acompanhadas, 158 são de Campina Grande e 118 são de outras cidades da
Paraíba. Ainda segundo os dados, das 27 crianças que nasceram com
problemas de malformação, apenas quatro são de Campina Grande.
“A gente sabe que no Brasil é ilegal
abortar e isso quer dizer que a mãe vai ter o filho desse jeito [com
malformação]. Tem quem dar apoio para ela ter essa criança. Qual a mãe
que terá condições de trabalhar com um filho assim? Quem ela vai pagar
as contas da casa? Meia bolsa, meio salário é suficiente? Quem vai pagar
o transporte dessa criança para o tratamento? Adianta uma mãe viajar
200 ou 300 quilômetros para a criança fazer 40 minutos de fisioterapia?
Vai ter resultado?”, questionou a médica.
Em Campina Grande, a Secretaria de Saúde
do município criou um ala de serviço especializado em microcefalia, no
Hospital Municipal Pedro I. O centro conta com um grupo de
ginecologista, neurologista, ortorrino, fonoaudiólogo, fisioterapeutas e
enfermeiros que acompanham mães grávidas com casos suspeitos e crianças
que nasceram com a síndrome.
Mães de outras cidades precisam viajar em busca
de atendimento (Foto: Reprodução / TV Globo)
de atendimento (Foto: Reprodução / TV Globo)
“Pela necessidade que essas crianças têm
de serem acompanhadas, não esperamos por outras entidades e criamos a
ala. Antes tínhamos cinco casos de microcefalia em um ano e hoje estamos
vivendo essa triste realidade. Eu estou achando lento o apoio das
entidades maiores, que é de onde também recebemos repasses financeiros.
Hoje o que temos é recursos próprios e Campina Grande já é referência
para 33 cidades de maneira informal”, disse a Secretária de Saúde de
Campina Grande, Luzia Pinto.
Em João Pessoa, a secretaria de saúde do
município ampliou as linhas de cuidados do Centro de Referência
Municipal de Inclusão para Pessoa com Deficiência (CRMIPD), para os
atendimentos aos bebês que nascem com mal formação cerebral. Segundo a
assessoria de imprensa da secretaria, o Centro recebe os encaminhamentos
das Unidades de Saúde da Família (USFs) e regula as consultas também de
outras cidades por meio do Serviço de Único de Saúde (SUS). Já na
cidade de Patos os atendimentos estão acontecendo na maternidade
Peregrino Filho.
A Secretaria de Saúde do Estado da
Paraíba informou, através de sua assessoria de imprensa, que no ano
passado foi apresentado um protocolo de vigilância e respostas as
ocorrências de malformação cerebral relacionada a infecção pelo vírus da
zika.
O projeto apresentado pelo governo, ao
G1, mostra que existência de uma rede de triagem em hospitais e
institutos de João Pessoa, Campina Grande, Santa Rita, Guarabira, Picuí,
Monteiro, Patos, Itaporanga, Catolé do Rocha, Cajazeiras, Sousa,
Princesa Isabel, Itabaiana, Pombal, Mamanguape e Queimadas para avaliar
as gestantes. Entretanto, quando se tratam de casos confirmados e
suspeitos, as referências para os 223 municípios do estado se limitam a
unidades de saúde de três cidades: João Pessoa, Campina Grande e Patos.
Segundo a Gerente Executiva de Atenção à
Saúde da Secretaria de Estado da Saúde, Patrícia Assunção, que é
responsável pelo planejamento de atendimento especializado na Paraíba,
está sendo fechado um acordo para definir por quanto tempo as crianças
que estão nascendo com malformação serão acompanhadas nestes três polos.
A intenção do governo é que após os seis meses de vida as crianças
sejam acompanhadas pela Fundação de Apoio ao Deficiente (Funad).
Entretanto, a gerente não confirmou quando essa definição deve ocorrer,
nem informou um prazo para o início da descentralização do atendimento
de João Pessoa, Campina Grande e Patos.
MICROCEFALIA
Alta de casos preocupa
Casos confirmados
Subiu para 56 o número de casos de microcefalia e/ou malformações sugestivos de infecção congênita na Paraíba, de acordo com dados do Ministério da Saúde publicados na quarta-feira.
Subiu para 56 o número de casos de microcefalia e/ou malformações sugestivos de infecção congênita na Paraíba, de acordo com dados do Ministério da Saúde publicados na quarta-feira.
No último relatório, que tinha sido
divulgado no dia 12, eram 54 casos. Outros 287 casos foram descartados e
423 seguem em investigação, somando 766 notificações desde o ano
passado. Em todo o Brasil já são 5.280 casos, sendo 508 confirmados e
837 descartados.
O estado segue em quarto lugar no
ranking dos casos confirmados, ficando atrás apenas de Pernambuco (182),
Bahia (107) e Rio Grande do Norte (70). Os casos foram registrados em
203 cidades de 13 unidades da federação, incluindo o Distrito Federal.
O Ministério da Saúde enfatizou que está
investigando todos os casos de microcefalia e outras alterações do
sistema nervoso central informados pelos estados e a possível relação
com o vírus da zika e outras infecções congênitas. A microcefalia pode
ter como causa diversos agentes infecciosos além do zika, como sífilis,
toxoplasmose, rubéola, citomegalovírus, herpes viral e outros agentes
infecciosos.
O orgão ainda orienta que as gestantes
adotem medidas que possam reduzir a presença do mosquito Aedes aegypti,
com a eliminação de criadouros, e proteger-se da exposição de mosquitos,
como manter portas e janelas fechadas ou teladas, usar calça e camisa
de manga comprida e utilizar repelentes permitidos para gestantes.
G1PB

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