Em mais uma ação para tentar engavetar de vez o processo de cassação
do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), a defesa recorreu
nesta terça-feira (23) novamente ao Supremo Tribunal Federal, dessa vez
para tentar inviabilizar a permanência do presidente do Conselho de
Ética, José Carlos Araújo (PSD-BA) no cargo.
Segundo Marcelo Nobre, advogado de Eduardo Cunha, a medida é para que
seja respondida questão de ordem apresentada pelo deputado
Wellington
Roberto (PR-PB), que coloca em dúvida a isenção do presidente do
colegiado na condução dos trabalhos. Marcelo Nobre argumentou que o
processo não pode prosseguir enquanto essa questão não for resolvida.
A reunião do Conselho de Ética foi encerrada sem a análise do
relatório, em virtude do início do período de ordem do dia do Plenário
da Câmara.
Na prática, Nobre pede ao STF que paralise o processo no Conselho enquanto não for decidida a questão de ordem de Roberto.
Na peça, menciona, por exemplo, o fato de o presidente do Conselho já
ter declarado por diversas vezes seu ponto de vista contrário a Cunha
em entrevistas à imprensa, colegas e no próprio plenário da Casa ou em
discursos no Conselho.
A defesa fala ainda em “grave quadro repetitivo de fraude regimental e
flagrante abuso de poder”. Menciona ainda o fato de Araújo não ter
respondido o questionamento de Welington Roberto, mais um dos aliados do
presidente da Câmara no colegiado.
Ainda durante a sessão a a atitude do grupo de Cunha foi criticada.
De acordo com o deputado Ivan Valente, a iniciativa é mais uma atitude
de protelação.
“O senhor Eduardo Cunha tem dez processos respondidos, tem oito
delatores premiados. Ele mentiu na CPI da Petrobras, tem contas na
Suíça, não quer vir aqui fazer sua defesa porque sabe que pode entrar em
contradições com a continuidade dos dados da Operação Lava-Jato. Ele
precisa ganhar tempo ”, criticou Valente.

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