O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), comunicou nesta
segunda-feira (9) ao plenário da Casa que decidiu dar continuidade à
tramitação do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff à
revelia do ato do presidente em exercício da Câmara, Waldir Maranhão
(PP-MA), que anulou a votação do dia 17 de abril.
A decisão foi tomada após consultas ao regimento interno do Senado e
conversa com líderes partidários na residência oficial do Senado.
Substituto de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) na presidência da Câmara,
acolheu nesta segunda-feira pedido feito pelo advogado-geral da União,
José Eduardo Cardozo, para anular a votação do processo de impeachment
no plenário da Câmara (leia ao final da reportagem a íntegra da decisão de Maranhão).
“[Quando o Senado
recebeu o processo] disse que a tramitação não seria tão célere de modo
que parecesse apressado nem tão demorada de modo que parecesse
procrastinação. Aceitar essa brincadeira com a democracia seria ficar
pessoalmente comprometido com o atraso do processo”, declarou Renan no
plenário do Senado.
“Nenhuma decisão monocrática pode se sobrepor à decisão colegiada,
tanto mais quando essa decisão foi tomada pelo mais relevante colegiado
da Casa [...] Por todo o exposto, deixo de conhecer o ofício da Câmara
dos Deputados e determino sua juntada aos autos da denúncia com esta
decisão”, completou o presidente do Senado.
O G1 procurou a assessoria do Palácio do Planalto para
comentar a decisão do presidente do Senado, mas não havia obtido
resposta aaté a última atualização desta reportagem.
Após o anúncio da decisão, Renan Calheiros
teve de suspender a sessão temporariamente devido ao tumulto que se
formou no plenário devido ao inconformismo de senadores governistas.
O presidente do Senado tentava dar a palavra ao orador que se
encontrava na tribuna, o senador José Pimentel (PT-CE), mas era impedido
devido aos gritos de senadores. "Não gritem, não gritem, não gritem",
apelou Renan.
Como não conseguiu ser atendido, ele decidiu suspender a sessão. "Vou
suspender a sessão por dois minutos para que Vossas Excelências gritem
em paz", declarou.
O ofício do presidente interino da Câmara dos Deputados pedindo que os
autos do processo de impeachment sejam devolvidos à Casa chegou, às
11h37 desta segunda, na Secretaria-Geral do Senado. Cabia a Renan
decidir se devolvia ou não o processo aos deputados federais.
Com a decisão de Renan Calheiros de dar continuidade à tramitação do
processo de afastamento, deverá ser lido ainda nesta segunda-feira, no
plenário do Senado, um resumo do parecer da comissão especial do
impeachment que recomenda a instauração do processo pelo Senado.
Após a leitura, o resumo será publicado no “Diário Oficial do Senado” e
começará a contar o prazo de 48 horas para que o relatório possa ser
votado pelos senadores. A sessão de votação do parecer está prevista
para iniciar na manhã desta quarta-feira (11).

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