A maioria dos médicos cubanos (74%), que chegarão ao Brasil na
próxima segunda-feira, vai trabalhar nas regiões Norte e Nordeste,
informou ontem o secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da
Saúde, Jarbas Barbosa. “A vantagem dos acordos bilaterais é que eles
estão vindo para aqueles locais onde o Brasil indica que é preciso um
médico. São regiões que não foram escolhidas pelos médicos brasileiros
nem estrangeiros”, explicou. O secretário participou de um encontro
preparatório sobre o Programa Mais Médicos com representantes de
prefeituras paulistas.
Os médicos estrangeiros que participarão
do programa do governo federal Mais Médicos vão começar a trabalhar em
Unidades Básicas de Saúde no dia 16 de setembro. Antes, os profissionais
vão participar de um treinamento de três semanas sobre o funcionamento
do SUS.
O anúncio da contratação de profissionais de Cuba foi
feita quarta-feira pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha. Espera-se
que, até o final do ano, 4 mil médicos cheguem ao país. Nesta primeira
etapa do acordo, que inicia na segunda-feira, 400 profissionais
desembarcam no Brasil e mais 2 mil são aguardados no dia 4 de outubro.
Eles vão passar pelo mesmo processo de avaliação dos médicos com diploma
estrangeiro e não precisarão revalidar o diploma.
Os cubanos
vão suprir a demanda de 701 municípios que não foram escolhidos por
nenhum médico na primeira chamada do programa. “São médicos que se
dispõem, que têm muita experiência em missões internacionais e já
atuaram em outros países. Dentro de um acordo bilateral, eles vão
trabalhar em locais onde há infraestrutura e um acolhimento da
prefeitura”, destacou Barbosa.
O secretário rebateu a crítica de
entidades médicas brasileiras de que esses profissionais estariam vindo
ao país em regime de semiescravidão. “Todos esses médicos estão vindo
voluntariamente. Terão previdência paga pelo ministério. Alimentação e
moradia paga pelo município. Dificilmente isso se assemelha a qualquer
coisa parecida com escravidão”, respondeu.
Repasse
Especificamente
sobre os médicos de Cuba, Barbosa reforçou que o Brasil repassará ao
governo cubano a mesma quantia destinada aos demais profissionais, R$ 10
mil. O repasse será feito por intermédio da Organização Pan-Americana
da Saúde (Opas). “Nós repassamos o recurso para a Opas, que, por sua
vez, passa ao Ministério da Saúde de Cuba, que paga os cubanos. Eles vão
receber o salário que o governo paga em missões no exterior”, apontou,
sem informar o valor.
Segundo o secretário, cerca de 30 mil
médicos cubanos trabalham em outros países, como Haiti e Venezuela. “Não
podemos pagá-los diretamente. O governo cubano só aceita enviar através
de um acordo bilateral”, disse. Ele relembrou que essa prática, de
importação de médicos, já foi adotada no Brasil, na década de 1990,
quando a maioria dos médicos da atenção básica em Roraima, no Tocantins e
em alguns estados do Nordeste era de Cuba.
fonte : portal correio

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