Ainda era de manhã quando Ruan Paulino da Silva, de 11 anos, saiu
de casa para fazer trabalhos de frete próximo a um mercadinho do bairro
Funcionários IV, em João Pessoa. Sua mãe, acostumada com as saídas
rotineiras do menino, não pensou que seria a última vez que veria o
filho, e disse um simples “vai com Deus, filho”. Naquele dia, 11 de
setembro de 2014, o pequeno Ruan foi torturado e morto. Agora ele faz
parte da estatística que contabiliza um total de
1.513 homicídios
ocorridos somente no ano passado na Paraíba.
Se extrairmos esse número de homicídios registrados no Estado no ano
passado e fizermos uma análise com base no total da população da
Paraíba, de aproximadamente 3,9 milhões de pessoas, observamos que, em
cada grupo de 100 mil pessoas, 39 foram mortas violentamente no Estado. O
número se torna alarmante e demonstra um grande crescimento da
violência se olharmos os crimes deste tipo registrados, por exemplo, em
2002, há pouco mais de uma década.
Naquele ano, 607 pessoas foram assassinadas, o que, se comparado com a
média populacional daquele período, vê-se uma média de 16,88 mortes a
cada grupo de 100 mil pessoas na Paraíba. O aumento, tendo em vista esse
período de recorte, chega a 131% no total de crimes violentos letais
intencionais entre 2002 e 2014.
Esse aumento vertiginoso encobre a pequena retração nos crimes
violentos letais intencionais que vêm ocorrendo no Estado nos últimos
quatro anos. Para se ter uma noção, do ano passado para o anterior a
redução foi de apenas 1,56% no número de homicídios no Estado (2013
foram registrados 1.537 homicídios. Em 2014, 1.513).
Conforme especialistas, nesse ritmo de redução, seriam necessários
pelo menos mais 20 anos para fazer com que esse quantitativo voltasse
para o que se observava em 2002.
O cálculo da média de homicídios por grupos de 100 mil habitantes foi
feito pelo coordenador da pós-graduação em estatística da Universidade
Federal da Paraíba (UFPB), João Agnaldo do Nascimento, a pedido do
JORNAL DA PARAÍBA. A metodologia de calcular a taxa por grupo de 100 mil
habitantes é usada em vários indicadores do IBGE, da ONU ou do
Ministério da Saúde.
O especialista analisou a evolução da criminalidade no Estado tomando
por base os números de homicídios divulgados pela Secretaria de
Segurança e da Defesa Social (Seds) da Paraíba e o quantitativo
populacional disponibilizado a cada ano pelo Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística (IBGE). De posse desses números, ele extraiu o
índice de homicídios a cada grupo de 100 mil habitantes, fazendo uma
projeção estatística de crescimento ano a ano.
Jornal da Paraíba

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