Em um ano marcado pela recessão na economia e pelo pagamento das
chamadas “pedaladas fiscais”, as contas do governo tiveram forte
deterioração e registraram um rombo recorde de R$ 114,98 bilhões, ou
1,94% do Produto Interno Bruto (PIB), informou a Secretaria do Tesouro
Nacional nesta quinta-feira (28).
Foi o segundo ano seguido de déficit fiscal primário – que considera
apenas receitas e despesas, sem contar juros da dívida. Este foi, de
longe, o pior
resultado das contas públicas desde o início da série
histórica, em 1997, ou seja, em 19 anos. Até então, o pior saldo havia
sido registrado em 2014, quando foi contabilizado um déficit primário de
R$ 17,21 bilhões, ou 0,3% do PIB. Os números mostram que a piora do
resultado, de 2014 para 2015, foi de R$ 97,77 bilhões.
As receitas totais do governo subiram 2,1% em todo ano passado. Já as
despesas totais cresceram 11,6% em 2015, ou seja, mais que o cinco
vezes a expansão das receitas.
Previdência Social
O resultado das contas do governo engloba aUnião, o Banco Central e da Previdência Social. Segundo o governo, houve uma forte piora nas contas do Instituto Nacional do Seguro Social no ano passado, quando foi contabilizado um déficit de R$ 85,81 bilhões (diferença entre as receitas e o pagamento de benefícios previdenciários), ou 1,5% do PIB.
O resultado das contas do governo engloba aUnião, o Banco Central e da Previdência Social. Segundo o governo, houve uma forte piora nas contas do Instituto Nacional do Seguro Social no ano passado, quando foi contabilizado um déficit de R$ 85,81 bilhões (diferença entre as receitas e o pagamento de benefícios previdenciários), ou 1,5% do PIB.
Em 2014, o resultado negativo havia sido de R$ 56,69 bilhões – o
equivalente a 1% do PIB. A piora foi de R$ 29,12 bilhões de um ano para o
outro e rombo subiu em 51%. O déficit do INSS
de 2015 foi o maior valor nominal (R$ 85 bilhões), mas, em proporção
com o PIB, ficou abaixo do patamar registrado de 2004 a 2007. O governo
debate, neste momento, uma reforma da Previdência Social.
“Houve um crescimento muito forte de uma despesa obrigatória, que é a
Previdência Social. Essa foi uma variável bastante importante na
compreensão do déficit neste ano. Junto a isso, temos a perda da receita
total de mais de R$ 100 bilhões [em relação à previsão inicial]
principalmente por conta da atividade econômica e, também, efeito do
preço do petróleo. Se retirarmos as despesas discricionárias, que caíram
em termos reais, as obrigatórias também subiram”, avaliou o secretário
interino do Tesouro Nacional, Otávio Ladeira.
Meta fiscal
Por conta das dificuldades enfrentadas com as contas públicas neste ano, o governo enviou ao Congresso Nacional uma proposta de alteração da meta fiscal no ano passado – que acabou sendo aprovada pelo Legislativo.
Por conta das dificuldades enfrentadas com as contas públicas neste ano, o governo enviou ao Congresso Nacional uma proposta de alteração da meta fiscal no ano passado – que acabou sendo aprovada pelo Legislativo.
O texto, enviado pelo Palácio do Planalto diante das dificuldades
para fechar as contas, autorizou o governo federal a encerrar 2015 com
um déficit de R$ 51,8 bilhões – sem contar as pedaladas fiscais e as
receitas da concessão de hidrelétricas, que acabaram ficando para 2016.
Com o pagamento das pedaladas fiscais,
limitado a R$ 55,6 bilhões, o resultado negativo das contas do governo
poderia subir para até R$ 118,7 bilhões. O Executivo dependia da revisão
da meta para não descumprir a Lei de Responsabilidade Fiscal. Com a
revisão, a meta fiscal do ano passado acabou sendo cumprida pelo
governo.
As chamadas “pedaladas fiscais” consistiram no atraso dos repasses da
União para bancos públicos do dinheiro de benefícios sociais e
previdenciários. Essa prática fez com que instituições financeiras como
Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil usassem recursos próprios para honrar esses compromissos.
Receitas X despesas
De acordo com dados do governo federal, as receitas totais subiram 2,1% em todo ano passado, contra 2014, para R$ 1,25 trilhão. O crescimento das receitas foi de R$ 26,14 bilhões no último ano.
De acordo com dados do governo federal, as receitas totais subiram 2,1% em todo ano passado, contra 2014, para R$ 1,25 trilhão. O crescimento das receitas foi de R$ 26,14 bilhões no último ano.
Em 2015, o governo subiu tributos sobre combustíveis, automóveis,
empréstimos, importados, receitas financeiras de empresas, exportações
de produtos manufaturados, cerveja, refrigerantes, cosméticos.
Na comparação com o PIB, as receitas totais somaram 22% no ano
passado, contra 21,5% em 2014. O valor registrado em 2015, porém, não é
recorde histórico, uma vez que, entre 2005 e 2013, haviam atingindo um
patamar mais alto.
Ao mesmo tempo, as despesas totais cresceram 11,6% em 2015, ou seja,
mais que o cinco vezes a expansão das receitas, para R$ 1,15 trilhão.
Neste caso, a elevação foi de R$ 119 bilhões no ano passado. Os gastos
somente de custeio, por sua vez, avançaram bem mais no ano passado:
19,5%, para R$ 265 bilhões.
Na proporção com o PIB, ainda segundo números da Secretaria do Tesouro Nacional,
as despesas totais bateram recorde no ano passado ao somarem 20,2% do
PIB. Foi a primeira vez em que as despesas do governo superaram a marca
dos 20% do PIB (com PIB revisado). O recorde anterior havia sido
registrado em 2014 (18,1% do PIB).
A dívida pública federal teve aumento recorde de 21,7% no ano passado,
para R$ 2,79 trilhões. Em valores nominais, o crescimento da dívida
pública em 2015 foi de R$ 498 bilhões – impulsionada principalmente
pelas despesas com juros, que somaram o valor recorde de R$ 367,67
bilhões.
Investimentos caem fortemente
No caso dos investimentos, os gastos somaram R$ 55,53 bilhões no ano de 2015, valor que representa uma queda de R$ 22 bilhões, ou 28,3%, frente ao patamar registrado em 2014 (R$ 77,5 bilhões). O valor é o mais baixo desde 2011 (R$ 52,6 bilhões). Na proporção com o PIB, os investimentos somaram 1% em 2015. Trata-se do menor valor desde 2008, quando totalizaram 0,9% do PIB.
No caso dos investimentos, os gastos somaram R$ 55,53 bilhões no ano de 2015, valor que representa uma queda de R$ 22 bilhões, ou 28,3%, frente ao patamar registrado em 2014 (R$ 77,5 bilhões). O valor é o mais baixo desde 2011 (R$ 52,6 bilhões). Na proporção com o PIB, os investimentos somaram 1% em 2015. Trata-se do menor valor desde 2008, quando totalizaram 0,9% do PIB.
G1

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